Razões para uma escolha lógica (3)
Dando seguimento à apresentação das razões para fazermos a opção pela cortiça:
Pegada de Carbono
Além da questão da conservação da Biodiversidade que apontamos anteriormente, a cortiça tem mais vantagens do ponto de vista ambiental, como a capacidade de retenção de carbono da atmosfera e a contribuição para a redução da dependência do petróleo. De facto os montados além da capacidade de produção de oxigénio através da fotossíntese, são capazes de reter quantidades significativas de CO2, um dos gases mais ligados ao efeito de aquecimento global. Estudos apontam para que a área de montado de toda a zona mediterrânica seja responsável pela fixação de cerca de 14 milhões de toneladas de CO2 por ano.
Mas não é só a floresta que nos dá esta matéria prima tão nobre que favorece a diminuição dos gazes de efeito de estufa, a indústria que a transforma é também um exemplo de sustentabilidade visto que desde sempre teve utilizações para todos os sub-produtos e desperdícios que produz.
A APCOR publicou recentemente, no seu anuário de 2009, os resultados de um estudo realizado pela PricewaterhouseCoopers para o Grupo Amorim, em que se estudou o impacto ambiental da rolha de cortiça quando comparado com as suas alternativas (cápsula de alumínio e vedante de plástico). Os resultados deste estudo foram francamente favoráveis em relação à rolha de cortiça. No relatório finalestão quantificados os valores de emissão de CO2 na produção, transporte, engarrafamento e na sua eliminação no final de vida, sendo que 1000 rolhas de cortiça emitem cerca de 1437g de CO2 enquanto a mesma quantidade de vedantes sintéticos emitem 10x mais (14716g) e no caso dos vedantes de alumínio a diferença é avassaladora (37161g).
Estas (baixas) emissões na produção das rolhas de cortiça, quando conciliadas com a capacidade estimada de retenção dos montados permitem-nos concluir que:
As ROLHAS DE CORTIÇA são o vedante mais amigo do ambiente, e por isso mais AMIGO DO VINHO.
Razões para uma escolha lógica (2)
Dando continuidade à apresentação das razões para escolher a cortiça:
A Rolha de Cortiça é uma mais valia para o Vinho

Desde que a cortiça é explorada como matéria-prima pela indústria, o sub-sector “rolheiro” é a base de sustentação de todo o sector em geral. Há registos desde “antes de cristo” que apontam o uso da cortiça como vedante para o vinho, inicialmente como tampas para ânforas e posteriormente e até aos nossos dias no formato de rolha como a conhecemos nas garrafas.
Nos dias de hoje, mais do que nunca, vários estudos apresentam as mais valias que a cortiça pode trazer para o vinho. São estes os trunfos que têm de ser utilizados para que os engarrafadores optem pela sua utilização:
- Começando pelo fim, do ponto de vista comercial e de imagem, estudos apontam para a preferência do consumidor final pela rolha de cortiça. Uma pesquisa elaborada por uma empresa Americana junto de consumidores de diversos países (França, UK, USA e Austrália) demonstrou que as rolhas de cortiça natural são o vedante escolhido em todas as situações.
- Do ponto de vista de performance para o vinho, estudos apontam também que as rolhas de cortiça natural são um óptimo meio de micro-oxigenação positiva que permite a evolução do vinho.
- Actualmente a indústria disponibiliza uma oferta alargada de soluções que permitem cobrir todas as necessidades do mercado vinícola. Esta gama de soluções começa logo nas várias classes das rolhas de cortiça natural e passa pelas soluções técnicas de rolhas (aglomerados, aglomerados + discos de cortiça), cobrindo assim todo o mercado do ponto de vista preço/prestação.
- Nos dias de hoje cada vez mais o consumidor final está atento aos aspectos ecológicos, e por isso o facto de um determinado vinho estar a usar um produto natural pode ser utilizado como forma de potenciar a sua imagem junto do consumidor final.
A indústria da cortiça (no sector das rolhas) pode ter cometido erros no passado que prejudicaram a sua imagem junto do sector vinícola, mas depois de ter acordado para eles soube dar resposta aos mesmo, eliminando-os. É preciso que os engarrafadores percebam que podem voltar a confiar nas rolhas de cortiça e perceber que a cortiça pode potenciar o seu Vinho.
AS ROLHAS DE CORTIÇA SÃO O VEDANTE DE ELEIÇÃO
As alternativas apenas nos tentam imitar
Dia dos namorados (14 de Fevereiro)
Amanhã festeja-se o dia dos Namorados. Mais uma daquelas datas de cariz comercial que vos faz pensar porque motivo é que eu resolvi falar dela por aqui.
Pois bem, amanhã quando estiverem a jantar com as vossas “cara-metade” não se esqueçam que um bom vinho é um óptimo acompanhamento para a refeição e que pode ser um afrodisíaco. Além disso podem sempre aproveitar para pedirem um vinho com rolha de cortiça e fazerem disso um tema de conversa mostrando ao/à companheiro(a) que se preocupam com o meio ambiente e com o futuro… ![]()

Razões para uma escolha lógica (1)
Na apresentação deste projecto referi que pretendia defender os argumentos que fazem da cortiça uma escolha (eco)lógica. Pois bem, esta será a apresentação do primeiro desses argumentos:
Os montados e a Biodiversidade


Os montados de sobro (nome dado às “florestas” de sobreiros) são a base do ecossistema de toda a bacia mediterrânica (Portugal, Espanha, Marrocos, França, Itália, etc.). Os ecossistemas, tantas vezes esquecidos, são os fornecedores de um conjunto de matérias que o homem desde sempre se habituou a utilizar mas são também fornecedores de algo que nem sempre lembramos.
Os ecossistemas são a base de suporte para a vida no planeta, possibilitam a existência da biodiversidade, regulam o ciclo da água, regulam a fixação dos solos, possibilitam a fixação do carbono (sobre o CO2 irei falar noutra oportunidade), etc.
Os montados dão abrigo a espécies como os Veados, a Águia Cobreira, os Peneireiros, as Raposas, os Coelhos Bravos e talvez o mais emblemático o Lince Ibérico. Este é o felino mais ameaçado em todo o mundo estando em “perigo critico” de extinção, estimando-se que em liberdade apenas existam cerca de 100.
Mas a biodiversidade não é apenas a fauna, estudos revelam que a Bacia Mediterrânica tem cerca de 15 a 25 mil espécies de plantas. Um número muito acima do resto da Europa. Apesar de muitas áreas de montado terem utilizações agrícolas conseguem ainda manter uma enorme quantidade de espécies vegetais nativas.
Para podermos proteger esta riqueza e diversidade biológica temos de defender a cortiça…
A Cortiça é sexy?
Como acham que anda a imagem da cortiça por esse mundo fora?
Alguns dirão que nunca esteve melhor, outros que já esteve pior e os mais desanimados dirão certamente que nunca esteve tão má. Eu acho que já esteve pior, mas mais importante do que o estado actual temos de conseguir projectar a imagem deste produto para patamares em que nunca esteve.

Certamente será difícil criar uma imagem apelativa na cabeça do público em geral sempre que ouvem falar em rolhas de cortiça, mas podemos aos poucos ir lutando contra isso. As próprias novas aplicações da cortiça (na indústria da moda, do design, etc.) estão a mudar a imagem do sector e podem ajudar na alteração da percepção das potencialidades da cortiça.
Do ponto de vista da publicidade, falando das várias campanhas efectuadas (ex.: CIC I, CIC II, CIC III, …) podemos achar que os resultados ficaram aquém do desejado para a imagem das rolhas de cortiça. Mas certamente para alguma coisa serviram, se mais não fosse para que se perceba para onde se devem apontar as energias para que o futuro seja mais promissor.
Estas campanhas tiveram sempre acções distintas destinadas a vários alvos (consumidor final, engarrafadores, “opinion makers”, etc.). Mas eu pergunto:
- De que serve criar uma imagem positiva das rolhas de cortiça junto do consumidor final se quando chegam à prateleira do supermercado o vinho que lá está tem todo vedantes sintéticos?
- De que serve ao consumidor querer comprar vinho com rolha de cortiça se quando olha para as garrafas no supermercado não tem como saber qual o vedante que nela vai encontrar quando chegar a casa?
- De que serve sensibilizar o engarrafador se depois este chega junto das grandes cadeias de distribuição mundial e estas lhe impõem o uso de vedantes sintéticos, por uma qualquer razão mais ou menos bem orientada?
Para finalizar, que o texto já vai longo, se o que queremos é recuperar parte do mercado perdido para os vedantes alternativos temos de mostrar às cadeias de distribuição que podem e devem confiar (ou voltar a confiar) nas rolhas e cortiça e com isso teremos mais de metade do caminho feito. Posteriormente poderemos dizer ao consumidor final que as rolhas são um produto: ecológico, um produto na moda e porque não um produto sexy. (Sobre as rolhas serem um produto sexy, ouvi à pouco tempo um empresário deste sector dizer: “Tocar numa rolha de qualidade é como tocar o corpo de uma bela mulher”).
Fico à espera das vossas opiniões sobre o que fazer para construirmos uma imagem sobre as rolhas de cortiça mais próxima do seu real valor (quer em termos de comportamento como vedante, quer do ponto de vista ecológico ou mesmo sócio-económico)…
Uma escolha (eco)Lógica
Existem escolhas feitas com razão (racionais) e escolhas feitas com o coração (irracionais). Existem escolhas discutiveis e escolhas indiscutiveis. Existem vários tipos de escolhas mas neste meu projecto tenciono mostrar porque é que a cortiça é uma escolha lógica, mais do que isso, uma escolha ecológica.
Uma escolha com séculos, mas que soube acompanhar a evolução dos tempos quer nas utilizações mais tradicionais (rolhas) quer na procura de novos produtos e aplicações. Uma escolha que apoia a natureza, que favorece a retenção do carbono. Uma escolha com uma pegada ecológica muito mais favorável do que as alternativas sintéticas (plástico ou alumínio).
É por isso que ao escolhermos cortiça temos o OK do ambiente…
